Escola Dominical: Fundamento da Fé

CLAITON 219 NOVO

Após 22 anos, a CPAD retorna com o tema sobre salvação nas Lições Bíblicas para adultos. A revista aborda a descrição das principais doutrinas da salvação sob a perspectiva pentecostal/arminiana e explica porque Jesus teve que assumir a forma humana. Mostra como Ele efetuou a obra de Salvação e sua abrangência e amplitude.

Como o cristão vive a graça de Deus. Como Deus permite o livre arbítrio. A operação da fé e do arrependimento. Estes são alguns pontos que abordados pelo comentarista Claiton Ivan Pommerening, que pela primeira vez assina como comentarista da revista Lições Bíblica de Adultos e também será a primeira vez como palestrante do Congresso Nacional da Escola Dominical. Ele é Doutor e mestre em Teologia pela Faculdades EST. Graduado em Teologia e Ciências Contábeis. Membro do RELEP – Rede Latino-americana de Estudos Pentecostais. Diretor e professor de Teologia na Faculdade Refidim/ CEEDUC (Joinville – SC). Editor da Azusa Revista de Estudos Pentecostais da Faculdade Refidim. Editor executivo da Revista REPAS da CPAD e pastor auxiliar na Assembleia de Deus em Joinville (SC).

Uma vez que a Reforma ocorreu quebrando a hegemonia do catolicismo, que ensinava uma salvação pelas obras, que dependia na época até mesmo da venda de indulgências, qual a importância do tema da Salvação ser frisado neste ano de comemorações dos 500 anos da Reforma?

Independente de momentos históricos a Doutrina da Salvação deve ser abordada, porque é a partir dela que o povo de Deus reafirma a sua fé no Salvador e sedimenta compreensões soteriológicas e, cristológicas que de outra forma seriam difíceis de assimilar. Essas compreensões têm a ver com a organização da vida em todos os seus segmentos e com a apropriação intelectual e afetiva da salvação que leva a novas dinâmicas positivas da vida. Além disso, neste momento histórico dos 500 anos vê-se a repetição de muitas coisas similares ao tempo da reforma; pois a Igreja sempre foi e será tentada a envolver-se na venda simbólica de bens religiosos. Neste sentido, vimos uma similaridade com a Reforma provocada pelas ideias do neopentecostalismo, que também negociam os bens religiosos com Deus como a venda de indulgências de então. Essas atitudes anulam a importância da graça e do sacrifício de Cristo na salvação. Estes são os motivos pelos quais neste momento de celebração relembramos o tema da Salvação.

A salvação unicamente pela graça, sendo justificação pela fé em Cristo, é um dos pilares principais da Reforma. O calvinismo acusa o pentecostalismo de ser “pelagiano”, pois a nossa matriz teológica é arminiana. Tal acusação obviamente não procede. Gostaria que o senhor falasse sobre isso.

O calvinismo tem feito um “cavalo de batalha” com os pentecostais, praticamente defendendo a ideia de que a única Teologia da qual Deus se agrada é o calvinismo. Sabemos que isso não é verdade e o estabelecimento de diálogos construtivos sempre será bem-vindo, mas como não é possível estabelecer diálogo com quem se julga inteiramente correto em sua doutrina, precisamos fazer nosso povo pentecostal entender quais as motivações e perigos desta Teologia. O pentecostalismo, especialmente das Assembleias de Deus, adota a doutrina arminiana, que é o equilíbrio entre o calvinismo, que prega que a decisão para a salvação é unicamente operada por Deus e o pelagianismo que coloca este peso decisório inteiramente na pessoa, ambas as crenças são, em certo sentido monergistas, ou seja, a decisão parte apenas de um lado. O arminianismo adota o sinergismo nesta decisão, onde Deus quer a Salvação de todos e opera neste sentido com seu Espírito Santo e o livre arbítrio humano que toma a decisão de tomar posse deste presente.
No pelagianismo o ser humano pode caminhar na direção de Deus por sua vontade, enquanto que no arminianismo o sujeito precisa anteriormente da obra do Espírito Santo em sua vida, caso contrário não surgirá a fé para a salvação, mas este, ainda precisa, por decisão própria, aceitar essa graça, enquanto que para os Calvinistas essa graça é irresistível em relação aos eleitos.

Como o senhor resumiria a exposição da doutrina da salvação à luz da Bíblia na perspectiva pentecostal/arminiana?

Sob a perspectiva da pergunta alcança-se a salvação escolhendo aceitá-la pela fé através da graça de Deus, respondendo positivamente ao convencimento do Espírito Santo. O significado bíblico de salvação é cura, redenção, remédio, completude, inteireza, integralidade, saúde física, mental e emocional. No sentido prático salvação significa que o cristão que aceita a Jesus como seu salvador vive sua religação e a comunhão com Deus e assim experimenta o perdão e a libertação dos pecados, apaziguando sua alma de temores, vivendo a vida em felicidade; ele é nova criatura e se esforça para compartilhar e implantar as realidades do Reino de Deus em sua vida e no mundo. Significa que Cristo fez a expiação pelo pecador, ocupando seu lugar na cruz (passado), que o crente é regenerado e santificado (presente) e será glorificado integralmente (futuro). Portanto, a salvação só é possível por causa da obra consumada na cruz por Cristo.

O senhor começou como comentarista da CPAD escrevendo para os jovens. Neste trimestre está, pela primeira vez, escrevendo a lição de adultos. Fale sobre essa experiência e a parceria com a editora.

A CPAD hoje é a maior editora evangélica da América Latina e por isso, essa parceria toma uma dimensão enorme para mim; e me sinto feliz por poder contribuir com aquilo que Deus me deu para o povo de minha igreja, a qual estimo muito. Eu sempre admirei e gostei das Lições da CPAD e tive minha fé, em grande parte, construída na ED, mas nunca nem mesmo sonhei em escrever uma Lição para a CPAD, entretanto, pela bondade de Deus recebi o primeiro convite da Casa escrevendo a Lição de Isaías e o livro texto para jovens e agora me sinto honrando de estar no meio de grandes referenciais das ADs que me trazem uma grande responsabilidade e peso, pois tenho nos ombros a responsabilidade por trilhar caminhos por onde passaram e passam pessoas que ajudaram a construir a história da nossa igreja.

O senhor está participando pela primeira vez de um Congresso Nacional de Escola Dominical da CPAD como palestrante. Fale sobre a importância da sua disciplina a ser ministrada. E qual a sua expectativa para o evento?

A expectativa do evento é poder receber, no Rio de Janeiro, um grande número de pessoas envolvidas com a educação cristã assembleiana e podermos juntos construir novos conhecimentos que dêem conta das várias demandas que existem no Brasil quanto à ED. Minha participação será ministrando uma plenária com o tema Só a fé - eleitos e livres, um dos pilares da Reforma Protestante, na qual desenvolverei a importância da fé na recepção da salvação e como ela pode ser driblada por falsos ídolos na vida do crente, ser substituída pela auto realização, ou ainda aperfeiçoada através da esperança escatológica e na certeza e segurança da salvação em Cristo, onde somente a fé em Cristo e no seu sacrifício na cruz pode dar esta esperança. Nele nos tornamos eleitos e filhos de Deus, livres do pecado. No workshop estarei abordando o tema A Escola Dominical afirmando a identidade pentecostal; abordarei que o pentecostalismo lançou mão da ED para garantir às gerações futuras uma formação bíblica focada no estudo da Palavra cultivando a identidade pentecostal, para manter-se livre do neopentecostalismo, do calvinismo e do cessacionismo.

Que conselhos o senhor deixa para o professor da Escola Dominical desenvolver e manter seu ministério com qualidade na área do ensino?

É preciso que o professor tenha uma experiência profunda com Deus. Não apenas como um momento estático da vida, mas como um propósito de continuidade e cultivo desta experiência; é necessário também estudo diligente da Palavra, através da Teologia e seus subprodutos como a exegese e a hermenêutica; e aprimorar o intelecto na leitura de bons livros que venham a aquilatar o conhecimento em várias ciências e na leitura do mundo.

Fonte: Revista Ensinador Cristão, número 72

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